Viajar de carro pela Europa com crianças

Quando falo para os meus amigos que dirigi da Holanda até a Croácia todos querem entender como foi essa viagem, então resolvi fazer esse post para aqueles aventureiros que querem viajar pela Europa de carro com crianças.

Eu tinha apenas 5 meses de Holanda e ainda estava de posse da minha habilitação brasileira, as crianças entraram de férias, mas o marido nos deu a notícia que não poderia viajar conosco. Eu tinha a opção de passar todas as férias em casa ou ir para um país lindo onde o sol é generoso, com paisagens de tirar o fólego e onde os meus filhos poderiam correr livres no campos verdes e ainda comer fruta colhida do pé no sítio dos avós e no final do dia mergulhar num mar cristalino, ou seja, era uma alternativa muito atrativa.

Mas comprar tickets aéreos para a Croácia em pleno mês de Julho sem nenhuma programação não é um bom negócio, a opção mais fácil era dirigir até lá, afinal seriam apenas 1.397 km para ir e 1.397 km para voltar.

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Fonte: Google map

Considerando que teria que atravessar quatro países: Holanda, Alemanha, Áustria, Eslovênia até chegar na Croácia, com duas crianças, falando apenas o básico do inglês e do croata e sem conhecer as estradas, posso afirmar que com certeza foi uma aventura.

Contudo, quando se viaja com crianças, temos a responsabilidade do “risco controlado”, afinal os pequenos dependem de você. Aventura deve ser planejada nos mínimos detalhes, onde os imprevistos são a parte divertida da história.

Planejamento da viagem:

  1. Veja no mapa o seu trajeto, imprima o seu itinerário.
  2. Identifique todos os postos de gasolina no decorre do trajeto, isso é muito importante, pois caso você precise de uma parada de emergência, poderá saber a quantos kilômetros irá ter ajuda.
  3. Tenha um bom GPS no carro.
  4. Planeje as paradas e a quantidade de tempo de cada uma.

No meu caso eu não queria dormir na estrada, pois tinha medo de ficar sozinha no hotel com as crianças (paranóia de mãe). Fiz a minha programação de dirigir durante 15 horas, sair de madrugada da Holanda e chegar no inicio da tarde na Croácia.

  1. Leve estoque de comida e bebida.

Eu levei duas bolsa térmicas: uma com sucos, iogurtes, água e outra com sanduíches e frutas, além de uma sacola com diversos biscoitos. Uma dica importante, evite o máximo comer comida de rua, pois a sua criança pode não está acostumada com novos sabores ou ter uma alergia inesperada a um determinado ingrediente e acabar indo parar uma emergência médica por intoxicação alimentar. Outra dica: pare o carro para dar comida as crianças, evite que as refeições principais sejam dentro do carro enquanto você dirige. Programe-se para que ocorra nas paradas, pois caso aconteça da criança passar mal, você estará com toda atenção voltada para ela e não para a estrada.

  1. Leve remédios de primeiro socorros à mão.
  2. Deixe o carro confortável para as crianças, coloque travesseiros e cobertas o suficiente para quando dormirem não se machuquem e você não precise parar o carro para ajeitá-los, afinal estará sozinha e na estrada não se pode parar a qualquer momento.
  3. Leve tablets/Ipads para cada criança, sei que muitas mães não gostam, mas numa viagem longa essas tecnologias são essenciais.
  4. Evite brinquedos pequenos que possam cair debaixo do banco e causar um choro descontrolado até a próxima parada do carro.
  5. Tenha dinheiro em espécie o suficiente para uma emergência, além de cartão de crédito.

Na estrada

Holanda – Dirigir na Holanda é super tranquilo, as estradas são excelentes, bem sinalizadas e com rígido controle de velocidade. A Terra dos Moinhos é muito pequena então provavelmente independente do ponto do país que você esteja em no máximo 3 horas já estará na fronteira.

Alemanha – Cuidado! Essa é a palavra chave. Na época da minha viagem o trecho da cidade da Colônia até a cidade de Nuremberga estava em zona de obra, muitos trechos com apenas uma ou duas pistas, ou seja, quase 80 % da viagem. Considerando, que praticamente toda auto estrada na Alemanha a velocidade não é controlada, podem imaginar o risco.

Nas partes próximas às cidades existem limites de velocidade, contudo, na auto estrada não existe limite, sendo assim os carros podem ultrapassar os 160 km por hora. Ao juntar alta velocidade, trechos em obras e motoristas desatentos, o risco é bastante grande. A minha dica é: redobre sua atenção e cuidado ao mudar de faixa e quando houver sinalização obedeça à risca.

Quando tiver na divisa da Alemanha com a Áustria na cidade de Passau pare e compre dois adesivos pedágios para colar no para-brisa do carro, um para circular pela Áustria e outro para circular pela Eslovênia, os dois são vendidos no mesmo lugar. Caso você não tenha esses adesivos, poderá ter o seu carro multado ou apreendido.

Áustria – Paciência! Imagina uma estrada curvilínea, com diversos e imensos túneis. No ínicio do túnel existe um limite de velocidade de 100 km, mas no meio do túnel reduz para 50km repentinamente, no final do túnel aumenta para 100km e, apenas 300 metros depois reduz para 60 km. Ou seja, uma loucura total, não tem como prever a próxima placa e você tem a nítida sensação que estão brincando com você.

Confesso que nesse ponto senti saudade do perigo alemão. Mas a paisagem de cinema do alpes austríacos e os castelos de beira de estrada faz você esquecer a incoerência das sinalizações. Esta é a parte mais bonita da viagem.

Eslovênia – Socorro!!! Um país super pequeno e muito desorganizado em se tratando de estrada. Praticamente toda a auto estrada está em obra, e pelo que eu me informei já se passaram mais de 5 anos e não acabam nunca. A ponte que faz a ligação com a Croácia estava fechada devido as obras e tive que fazer um desvio por dentro da cidade. Porém, o GPS parou de funcionar e não conseguiu reconhecer as estradas internas, fiquei perdida, era noite, eu não entendia as placas e as crianças já estavam impacientes.

Nesses momentos é importante ter calma e fé, acreditar que vai achar uma solução. Após logos minutos encontrei uma estrada lateral onde conseguia ver parte da auto estrada, mantive o foco e para minha surpresa quando encontrei a saída já estava na divisa do país e o GPS voltou a funcionar. Quatro horas depois estávamos na casa dos meus sogros, na Croácia. A viagem durou 18 horas, muitas risadas, muitas paisagens lindas, alguns apertos e a certeza que valeu a pena.

Croácia – As estradas são amplas, bem sinalizadas e com um coerente controle de velocidade. O único incômodo são os inúmeros pedágios.

E você? Ficou animado em se aventurar? Conta pra gente!

Beijocas e te vejo no próximo post.

 

 

As 3 coisas que aprendi vivendo na Holanda

O texto de hoje é fruto de uma postagem coletiva do grupo Blogueiras Brasileiras na Holanda e trás uma reflexão muito legal do que aprendemos depois de mudar para o País. Eu poderia listar várias coisas, mas vou escolher apenas 3 que mudaram, não apenas o meu comportamento, mas minha percepção de mundo.

– Aprendi a acreditar que tudo pode ser possível

Mudar para a Holanda não foi um propósito de vida e sim uma consequência de vários fatores. O medo e a insegurança fizeram parte de todo o processo. Achei que seria impossível me adaptar aos novos costumes, língua e principalmente ao clima, mas sabia que precisava. Então, busquei reagir e encarar a mudança com determinação.

De repente, as coisas aconteceram e passei a não ter medo do desconhecido. Estudei holandês sozinha, me tornei voluntária num centro comunitário, mesmo com inglês básico. Comecei a estudar profundamente fotografia, um hobby que tenho como meta transformar em profissão. Fiz amizades com pessoas oriundas de diversas partes do mundo como: Líbano, Túrquia, Rússia, Canadá, Argentina, México, Alemanha e principalmente Holanda.

Ingressei numa plataforma digital chamada Brasileiras pelo Mundo, composta por mais de 100 mulheres brasileiras que moram em várias partes mundo e que têm como propósito o empoderamento feminino. Aprendi com as experiências delas e por participar desse grupo irei fazer esse ano a minha primeira viagem internacional sozinha, vou para Londres para participar de um Encontro Anual dessas mulheres, representando a Holanda. Comecei a relatar as minhas experiências no meu blog Melissa na Holanda e tais informações passaram ajudar pessoas desconhecidas e essa sensação meu trouxe um sentimento de paz enorme.

Percebi que o desafio da mudança é gratificante, pois te tira do conforto do cotidiano e te obriga a evoluir. Por isso, eu recomendo a se arriscar, mesmo que o início pareça improvável, saiba que o impossível é somente um ponto de vista.

– Aprendi a dar valor a simplicidade

Cheguei em pleno inverno holandês, e tinha apenas um casaco para frio rigoroso. E estava incomodada em  pensar que as pessoas sempre me viam com o mesmo casaco. Mas, por falta de grana e de tempo ainda não tinha comprado outro e comentei com a minha vizinha holandesa que não via a hora de ir numa loja.

A resposta dela foi a minha primeira lição de simplicidade deste povo: “Por que? Este não te esquenta? Por que precisa de mais de um?”. Parei e refleti: Verdade! Aquele atendia perfeitamente as minhas necessidades. E naquele momento me senti ridícula e a preocupação acabou. Certas questões impostas pelo meio que nos cerca, perdem o valor quando passamos a questioná-las com o olhar mais criterioso.

Coisas simples como: acompanhar a beleza e o desenvolvimento de uma árvore durante as quatros estações do ano; fazer cupcakes para os aniversários dos meus filhos sem me preocupa com a perfeição da forma; sentar para bater papo com amigas no meio da tarde. Saborear pratos diferentes; tomar uma taça de vinho para comemorar a chegada do sol; cuidar do jardim ao chegar da Primavera. Tudo passou a fazer sentido e a proporcionar uma sensação de bem estar incondicional.

Em suma, entender que a felicidade está nos pequenos momentos e que estes juntos formam a vida que vivemos e escolhemos viver.

– Aprendi a importância das relações humanas

A distância do Brasil e a necessidade de informar aos parentes e amigos como estavam as minhas novas descobertas do outro lado do Atlântico me aproximou das redes sociais. E ao navegar neste novo mundo virtual encontrei mulheres com histórias semelhantes a minha.

Diversidade é a palavra chave para descrever esse grupo de brasileiras que saíram do Brasil por diferentes motivos para desbravar a Terra dos Moinhos. E que, assim como eu, também através de textos fotos e vídeos inspiram pessoas e compartilham os sabores e dissabores de serem expatriadas.

E foi através desta afinidade de pensamentos que resolvi reunir essas mulheres. E mesmo sem conhecê-las, passei a contatá-las e tive a grata surpresa de saber que a essência da relação humana transborda o mundo virtual.

Pessoas maravilhosas que agora fazem parte da minha vida e juntas formamos o grupo Blogueiras Brasileiras na Holanda.

Este texto é resultado do nosso primeiro projeto juntas e com muita alegria gostaria de compartilhar com vocês não somente o que aprendi ao mudar para a Holanda, mas a visões múltiplas de vários olhares femininos.

Aqui você irá encontrar os textos sobre aprendizado das seguintes blogueiras:

Ana de Amsterdam!

Bailandesa.nl

Holandesando.com

Beyond Windmills

The Nerdylands

Little Jujuba

Diário de Prato

Holandices

Blog Metamorfose Fashion

Vivendo na Holanda by Carol Alves

Outra Youtuber que também fala sobre a Holanda é a:

Joyce Aurora

E você, o que aprendeu no último ano da sua vida? Conta pra gente!

Beijocas!

Te vejo no próximo post.